Romance - Belas Supresas... - Parte VII

08 janeiro Lila Martins 0 Comentarios

Romance - Belas Supresas... - Parte VII

Olá gente, hoje tem mais um pedaço da história da Camilly e do Gregory! (Parte I,  Parte II, Parte IIIParrte IV e Parte VI

O tempo correu, do casamento já havia se passado quase um mês, estavam vivendo bem, a barriga já podia ser notada levemente e dali duas semanas estavam com o ultrassom morfológico marcado, para descobrirem o sexo do bebê e finalmente, começar a  montar o quartinho e comprar o enxoval.

Era quinta feira, eles tinham jantando comida chinesa, ela teve um desejo, assistiram alguns episódios de uma série e dormiram. 

Por volta das 2 hora da manhã ela acordou sentindo que as coxas estavam molhadas e grudentas, acendeu o abajur e notou que o lençol parecia manchado e molhado por algo escuro, chamou Gregory e ele se acordou.

- Oi? O que foi? – disse sonolento.

- Eu acho que estou com algum tipo de... – e uma dor lancinante perder o ar abafando um grito.

Ele saltou da cama e acendeu a luz, se deparando com ela deitada sobre uma poça de sangue.

- Amor! Tente ficar o mais calma possível! – Ele disse tentando transparecer segurança a ela. Só que as dores começaram a vir em ondas absurdas, e ela mal conseguia pensar com clareza.

Em poucos minutos ele estava colocando a camisa a ajudando ela a colocar um roupão por cima da camisola manchada e chamando uma ambulância que rapidamente chegou.

Camilly foi levada ao hospital, entrou para atendimento imediato e ele não saiu um segundo de perto dela, a hora seguinte foi um pesadelo. O médico fez um ultrassom e não encontrou mais o coração do bebê, ambos choraram copiosamente sentindo a dor de perder seu filho ali naquela mesa fria, logo após um mês de casamento tranquilo. Pediram que ele fosse cuidar da documentação da internação dela, enquanto lhe faziam a curetagem do feto.

Quando ela acordou já no quarto ele estava ao seu lado segurando sua mão. Ali ela sentiu a maior dor daquela noite, ele parecia tão arrasado quanto ela, e além de perder o bebê ela estava sentindo que logo perderia o marido também, aquele homem bom com o qual viveu 2 maravilhosos meses, sendo tratada como uma rainha, recebendo todo tipo de mimos e carinhos. Aquele homem, seu professor havia lhe salvado da humilhação de ser mãe solteira, estava ali com ela, mas em breve não estaria mais, só agora olhando pra ele é que ela percebia o quanto estava apaixonada por ele, sem poder se conter deixou que as lágrimas rolassem.

- Ah meu amor... Você acordou? Como se sente? – A voz dele era tão impressionantemente doce que ela começou a chorar ainda mais. – Ah meu anjo... – Ele sentou na cama e a puxou delicadamente para seus braços e ali ela desabou, estava se sentindo vazia, como se alguma coisa houvesse sido tirada dela de forma brutal. Se sentia madura como nunca antes e aquilo a assustava muito. Ela o sentia acariciando seu cabelo delicadamente, nunca tinha sentido ele tão próximo, tão emotivo, ele estava sentindo tanto a perda quanto ela.

Naquela noite, ela ficou em observação e a tarde no dia seguinte recebeu alta. Ele pegou um taxi e a levou para casa, por volta das 18h ela notou que estava ainda deitado com ela na cama, aconchegada em seu peito.

- Greg? Hoje é sexta, você tem aula.

- Já liguei para o coordenador e expliquei a situação, hoje não vou, pedi para dispensar a turma, vou repor a aula posteriormente.  

- Poderia ter mandado um trabalho para ser feito em sala.

- Não, você ficaria prejudicada amor, melhor dispensar, nem as faltas você terá. – Ele lhe deu um beijo na têmpora.

- Greg... como vamos ficar agora?

- Como assim? – Ele parecia confuso.

- Você sabe, o casamento... era pelo bebê e... bem... ele se foi... - sentiu as lágrimas encherem seus olhos novamente.

- Não acho que esse é um bom momento pra falarmos disso, as ultimas 24h foram conturbadas, não temos que decidir nada agora. – ela sentiu um alívio tremendo.


O tempo passou, Camilly estava bem, havia feito uma bateria de exames e tudo estava em ordem, a médica até lhe deu esperanças de que poderia engravidar novamente em breve. Naquela noite ela decidiu que tinham que conversar ou explodiria, vinha há semanas tendo pesadelos em que o perdia e ficava arrasada,  estava forte o bastante e pronta para o que decidissem.

Jantaram ela tomou um banho, enquanto ele terminava de corrigir algumas provas, assim que ele terminou ela tomou coragem e disse:

- Gregory, acho que já podemos falar sobre as perspectivas não acha?

- Se você quiser por mim tudo bem.

Ela se sentou na cabeceira cama e ele nos pés. Sempre conversavam na cama, era confortável e mais informal. 

Ele tinha uma expressão grave e ela estava ansiosa, mas queria colocar tudo em pratos limpos, se ficassem juntos, dali pra frente seria tudo às claras, ela diria tudo que sentia e teriam um casamento de verdade.

- Então Greg? O que vamos fazer agora? Nos casamos porque eu estava grávida e você estava disposto a assumir a criança, mas agora esse motivo se foi e eu quero saber o que vamos fazer? Que história contaremos a todos quando nos separarmos? – A última palavra o atingiu como uma bofetada e ele ficou sem reação por alguns segundos. Ela estava pronta para a separação, ia perde-la!

- Quer se separar? – Foi o que conseguiu dizer.

Ela ficou surpresa com a pergunta. Não havia percebido que soara tão pessimista, sentiu uma ponta de arrependimento do modo como falou e a esperança ascendeu lá no fundo parcamente.

- Você não quer? – Ela perguntou.

- Não, se depender de mim, vamos ficar velhinhos juntos. – Ela ficou boquiaberta com a sinceridade dele. – Mas eu não posso te obrigar, se você não me quiser mais...

- Não quero me separar também, só pensei que era isso que você queria. – Ela disse.

- Eu? Não!  Não quer se separar? Por quê? – Ele perguntou finalmente sentindo a mesma parca esperança aparecer no íntimo. 

- Sinceramente? Porque eu percebi que... – Ela engoliu seco, estava prestes a se expor, estava com medo, mas ela tinha que fazer isso, era necessário para começarem dali a ser um casal de verdade. – percebi que não queria ter aquele bebê. – Ele a olhou um pouco atordoado e ela resolveu que precisava continuar. – Pelo amor de Deus não me julgue, eu amava ele, era meu filho estava crescendo dentro de mim, mas... VOCÊ não merecia isso.

- Eu não merecia ter um filho?

- Não Greg, você não merecia ter um filho que não era seu. Você é o homem mais incrível desse mundo, me deu a mão na minha hora mais difícil, durante todo esse tempo me tratou como se eu fosse uma rainha, me presenteou com estabilidade, carinho, atenção e com respeito, me deu tudo, foi meu melhor amigo, chorou comigo naquela sala de ultrassom quando aquele coraçãozinho não se manifestou! Deus, como um homem desses pode simplesmente criar um filho de um desgraçado que me estuprou! Ele me tocou com desdém, me embebedou e me tomou a força! Como você seria digno disso? Você merece ser pai de verdade, ter um filho SEU, do seu sangue concebido com amor, com delicadeza, algo realmente seu, você merece toda a felicidade, o pacote completo, uma esposa completamente apaixonada por você, que carregue um fruto de amor de verdade você merece isso e naquele dia, quando eu acordei no quarto e você me abraçou com todo a sua ternura... Eu estava arrasada por dentro por ter perdido o meu bebê, mas eu estava mais arrasada ainda porque eu notei o quanto você era importante, acho que eu te enxerguei ali, tão frágil quanto eu e eu notei o quanto a sua dor me machucava também... – Ela o olhou e lágrimas estavam escorrendo dos olhos dele, sua expressão era um misto de surpresa e felicidade.

- Eu... Obrigada... Eu... – Ele não conseguia falar direito, seu coração estava transbordando, ela se importava com ele, precisava dizer, precisava desabafar ou explodiria! – Eu te amo tanto Camilly... – Foi a vez dela ficar chocada ele decidiu que agora iria até o fim.

- Eu vi você há pouco mais de um ano, você estava com seu all star, um jeans escuro e uma blusa vermelha, carregando os livros no corredor com o cabelo preso, era apenas mais uma aluna no meio de tantos na faculdade, mas alguma coisa me chamou a atenção e eu fiquei curioso. O tempo passou e eu via você sempre passando pelos corredores. Quando entrei na sala naquele primeiro dia do semestre eu vi você, sentada bem na frente e pensei que fosse um sonho, quando fiz a chamada e descobri seu nome, achei que combinava com você, era delicado como você, eu não tinha a menor ideia de como, mas eu precisava te conhecer, o plano era esperar o semestre passar e tentar chegar mais perto, de repente te convidar pra sair, sei lá eu precisava ouvir a sua voz dizer meu nome e não ficar me chamando de professor. Eu sei que pareço um maluco falando assim, eu não queria ter um caso com uma aluna, queria conhecer essa mulher, de perto eu queria você na minha vida. Ai te encontrei chorando aquela noite, estava apavorada, e eu pensei que seria uma boa oportunidade, eu ia me casar com você e esperar que nunca precisasse te contar isso, porque eu sabia que você ia me achar repugnante, mas seria errado não te dizer que eu te amo, que sou apaixonado por você há muito tempo e que ter você aqui todos os dias é maravilhoso! Desculpe... 

- Desculpe por quê? Por salvar a minha vida? Por me mostrar que nem todos os homens são iguais? Que ao contrário daquele crápula você me tratou com tanto carinho? Se for por isso eu não vou nunca desculpar você! – Ele sorriu.

- Não tem noção do quanto eu amo você... Quando soube do que ele tinha feito com você, nossa eu fiquei possesso, eu o odiei naquele momento, eu não conseguia entender como um homem tem a chance de ter uma mulher como você nos braços a trata assim?

- Você sempre foi tão gentil comigo... – disse ela.

- Eu tinha medo... Medo que você ficasse apavorada, medo que quando eu te tocasse isso te fizesse lembrar daquela noite horrível.

- Você nunca me fez lembrar, nem por um instante dele, eu sei que você nunca me tocaria daquele jeito, sempre delicado e carinhoso. Eu não sei o que você viu em mim, o que te fez me querer, sou só uma caipira, inexperiente. – ela baixou a cabeça. Ele segurou seu queixo e ergueu seu rosto para que ela o olhasse nos olhos.

- Você é uma mulher linda, apesar de jovem é muito madura e isso torna você especial, eu te amo exatamente por você ser assim pura, delicada e experiência se adquire meu anjo, tem mais a ver com o que sentimos juntos, o conjunto todo.

- Eu não sou sensual, nem atraente e...

- Eu te quero quase o tempo todo, tem noção de como é desejar algo que está completamente ao seu alcance e não poder ter? Essas semanas de “jejum” tem sido muito dolorosas, eu fico louco toda noite, em especial quando você se aconchega de conchinha em mim, Deus eu penso que vou enlouquecer de desejo.

- Você me quer? Achei que estava se afastando porque não havia mais gravidez!

- Que absurdo! Eu só queria te dar um tempo, você tinha acabado de abortar, estava esperando que você demonstrasse que estava confortável. Te quero muito, eu sou louco por você!

- Greg, acho que ainda não disse, mas... Eu estou apaixonada por você. – Os olhos dele brilharam, ele se inclinou para a frente e encostou a testa na dela.

- Então acho que é uma boa hora pra eu perguntar... Quer ser minha mulher? Aqui, agora, nessa cama, nesse quarto, selar o nosso casamento, ser minha e me permitir ser seu. – ele se aproximou do ouvido dela e sussurrou. – Todo seu...

Ela sentiu o corpo todo se arrepiar, como um simples sussurro poderia deixar ela assim, com o corpo amolecido.

- Quero... – disse ela em um fio de voz, fazendo um esforço enorme para conseguir pronunciar essa simples palavra.

Ele então eles se beijaram e seu casamento, de verdade começou ali, na noite incrível que partilharam. 

Quando terminaram, ele a puxou para si, ela se aconchegou no seu peito, e ele lhe fez cafuné.

- Então meu amor? Pronta para assumir oficialmente que estamos casados e nos amamos? – Ele perguntou com um sorriso bobo de satisfação.

- Estou, vamos esperar um pouco mais e começar a tentar ter nosso filho, eu não vejo a hora de carregar um pedacinho seu e voltar a ver aquele brilho sonhador nos seus olhos.

- Eu estou tão feliz, sabia? Agora eu posso dizer que sou um homem realizado, conquistei a mulher que eu queria, tenho uma família, e uma vida pra compartilhar com o meu amor.

- As vezes acho que eu não mereço você. 

- Não sou tão bom assim sabia?

- Pra mim é! O melhor!

- Obrigada meu anjo. Amo muito você, tanto que acho que não cabe no peito.

- Também te amo Greg, você me conquistou aos pouquinhos, devagar e quando eu me dei conta já era tarde e eu estava completamente apaixonada.

Eles continuaram conversando por um longo tempo, abraçados e dividindo sonhos para o futuro.

Na manhã seguinte Gregory acordou e ao olhar para o lado foi tomado por uma euforia imensa ao ver Camilly abraçada ao lençol com o corpo quase todo a mostra. Sua esposa estava ali, deitada dormindo tranquilamente ao seu lado. Ela respirava devagar, com a boca entreaberta adormecida. Era tão linda...



Aquela semana foi diferente, eles não conseguiam se desgrudar, faltava pouco para o termino das aulas, e Gregory já havia solicitado a sua demissão, iria dar aula em outra universidade para que não fosse mal interpretado, a respeito de ser casado com uma aluna, logo eles não precisavam mais ser cautelosos.

Camilly entrou na sala e sentou ao lado de Emily como sempre. Quando ele chegou ela sorriu pra ele e ele retribuiu. Ele começou a aula e ela simplesmente babava enquanto ele falava.

- Camilly, seja discreta, você está dando muito na vista que está babando pelo professor, ele é casado mulher. Controle-se.

Camilly sorriu.

Naquela noite eles esperaram todos irem embora da sala para que pudessem ir para o carro de mãos dadas.

Ele a encurralou na porta com os braços e lhe deu um beijo.

- Ah... eu não ia conseguir esperar até chegar em casa – disse com a cabeça encostada na dela e um olhar apaixonado sorrindo.

- Professor? – Era Emily, ela havia visto eles se beijarem. – Vocês estão tendo um caso?

- Não Emily, Greg é meu marido. – disse Camilly.

- Oh! Agora entendo porque você fica com aquela cara de apaixonada na aula. – todos riram.



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