Um conto de Natal

25 dezembro Lila Martins 0 Comentarios

Cristine tinha 11 anos e estava na janela olhando  a neve cair, tão branca e gelada lá fora, naque ano porém não estava tão triste como de costume, os natais eram sempre muito vazios. Todos os anos eram iguais, todos sentavam juntos, assistiam um filme de natal onde as crianças faziam pedidos ao papai noel e eram felizes com suas famílias em noites mágicas cheias de alegrias. 
Aquele era o quarto natal dela sem a mãe.
Cristine tinha 7 anos quando sua mãe morreu e seu pai decidiu que não era capaz de cuidar de uma menina sozinho, então resolveu que seria melhor abandonar a filha, que tanto o amava, num abrigo para crianças órfãs, a mágoa ainda era grande, tão pequena e já havia sido rejeitada com tanto desdém. Sua mãe era tão amável, lia uma história todas as noites para ela, lhe dava um beijo e dizia para não ter medo do escuro. Quando ela descobriu que estava doente tudo ficou cinza, ela via a mãe cada dia mais pálida e fraca, seu pai começou a beber, mas as noites ainda tinham histórias e beijos de boa noite, numa tarde muito chuvosa enfim sua mãe não conseguiu mais se levantar e dentro de 3 dias, finalmente se foi. Cristine ainda se lembrava de como ela se esforçava para falar, a última coisa que lhe disse foi para que fosse forte, que sempre estaria com ela em seu coração choraram juntas e naquela noite ela partiu.
Seu pai então decidiu que o orfanato seria melhor e ela nunca mais soube nada sobre ele. 
As crianças sonhavam com um lar feliz e uma família, a maioria delas estava ali desde bebezinho e não sabia como era o abraço de uma mãe, mas ela sabia e seu sonho não era ter uma família, era ver sua mãe novamente, ouvir sua voz lhe contando histórias antes de dormir.
Naquele ano Cristine teve seu presente de natal, ao invés de brinquedos e ceia ela estava prestes a realizar seu sonho, aos 9 anos havia sido diagnosticada com leucemia, deram-lhe apenas 2 anos de vida e foi naquela noite de natal sozinha num quarto de hospital que ela a viu. Sua mãe estava ali ao seu lado, disse que tudo ficaria bem, a dor finalmente cessou, ao longe ainda ouviu a enfermeira assustada tomando seu pulso, a enfermeira chorava copiosamente, ela havia ficado ao lado de Cristine durante todo o doloroso processo do tratamento, ela queria muito dizer a ela para não se preocupar, mas sua mãe explicou que um dia ela iria superar e ela se sentiu melhor, segurou a mão da mãe, sentindo como se tivesse 7 anos de novo e juntas, elas seguiram para uma linda luz branca a sua frente.
Naquela noite, Cristine morreu, naquela noite ela estava com sua mãe novamente, naquela noite ela finalmente encontrou a paz...

                                                                                                                Texto de 


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